A empresa de Cupertino chegou a acordo numa ação coletiva que alega ter iludido os compradores do iPhone 15 Pro e iPhone 16 com promessas de funcionalidades de inteligência artificial que nunca chegaram a estar disponíveis, e que quase dois anos depois continuam por chegar.
Apesar de um histórico exemplar, a Apple já teve alguns momentos constrangedores, e a temática da inteligência artificial no iPhone é um dele, que continua a assombrar não só a empresa, como os utilizadores. Após anos em tribunal, a empresa de Cupertino chegou finalmente a acordo, com a atribuição de uma indeminização de 250 milhões de dólares para encerrar uma ação coletiva que alega ter enganado os compradores de iPhone nos Estados Unidos.
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Este processo resulta da anterior promessa do lançamento de uma versão atualizada da Siri com inteligência artificial que foi anunciado em conjunto com o Apple Intelligence, mas que nunca chegou a cumpriu. A origem da polémica remonta ao WWDC 2024, a conferência anual de programadores da Apple realizada em junho desse ano. Na ocasião, a Apple apresentou uma Siri profundamente renovada, capaz de compreender o contexto pessoal do utilizador a partir de e-mails, mensagens e ficheiros armazenados no dispositivo.
Tudo isto foi anunciado como sendo funcionalidades específicas para toda a linha iPhone 16, criando a expectativa de que chegariam através de atualizações do iOS 18. O iPhone 16 foi comercializado, inclusivamente, como “o primeiro iPhone construído para a IA”. Os anúncios publicitários mostravam cenários concretos, como utilizadores a pedirem à Siri para encontrar um podcast recomendado por um amigo numa conversa, ou saber a que horas aterrava o voo da mãe cruzando dados do e-mail com informação de voos em tempo real.
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A Apple só reconheceu publicamente o atraso em março de 2025, mais de cinco meses após o lançamento do iPhone 16. Entretanto a empresa retirou todos os anúncios publicitários que mostravam as novas capacidades da Siri. Ainda assim, algumas das componentes do Apple Intelligence chegaram a ser lançadas ao longo de 2024 e 2025, como ferramentas de edição de texto, geração de imagens e integração com o ChatGPT. Porém, a Siri com consciência contextual e capacidade de agir dentro e entre aplicações nunca chegou a ser disponibilizada.
A versão completa da Siri demonstrada no WWDC 2024 é, só agora, considerada para outono de 2026, quando ocorrer o lançamento oficial do novo sistema operativo iOS 27. O acordo proposto prevê indemnizações entre 25 e 95 dólares para os compradores elegíveis, ou seja, proprietários de iPhone 16 ou iPhone 15 Pro adquiridos entre junho de 2024 e março de 2025. O acordo oferece uma compensação financeira, mas não admite qualquer responsabilidade pela publicidade de funcionalidades que não chegaram a ser disponibilizadas.
É, por assim dizer, uma admissão de culpa sem nunca chegarem a assumir essa mesma culpa. O caso levanta questões mais amplas sobre a prática, cada vez mais comum na indústria tecnológica, a de anunciar produtos e funcionalidades com base em demonstrações que não refletem o estado real do seu desenvolvimento.
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Recordamos que a Apple confirmou no início do presente ano que está a trabalhar numa parceria com a Google, que permitirá usar os modelos Gemini para potenciar futuras funcionalidades do Apple Intelligence, incluindo uma Siri mais personalizada. Quase dois anos depois da grande promessa feita em Cupertino, o assistente inteligente que devia ter chegado com o iPhone 16 ainda não existe, mas o seu lançamento vai chegar, finalmente, dentro de meses.
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