O líder do Chega, André Ventura, garantiu nesta segunda-feira que o seu partido levará a plenário a proposta para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) aos negócios do lítio, na sequência das últimas revelações sobre a Operação Influencer, apesar de o PSD já ter afastado a sua viabilização. Algo que Ventura considerou ser um sinal de que “há partidos que não estão interessados na verdade” e, pelo contrário, “estão interessados em protegerem-se uns aos outros”.

“Há 50 anos que é a mesma coisa. Protege-me tu agora, que eu vou proteger-te mais tarde. É esta cultura que destrói a nossa democracia. É não quer fazer a António Costa agora, não vá o PS lembrar-se de fazer a Luís Montenegro daqui a uns meses”, disse Ventura, à entrada de uma reunião com autarcas eleitos pelo seu partido, nas instalações da Junta de Freguesia de Arroios, no Mercado do Forno de Tijolo, convocada para discutir “imigração descontrolada” e as consequências da declaração de inconstitucionalidade da pena acessória de perda de nacionalidade, decidida na sexta-feira passada pelo Tribunal Constitucional.

Apesar disso, o líder do Chega centrou as suas declarações aos jornalistas no travão do PSD à CPI dos negócios do lítio, garantindo que o seu grupo parlamentar irá levar a proposta da sua criação a plenário, já nesta semana, “para que todos assumam as suas responsabilidades”. Só depois, confirmando-se a falta de vontade dos sociais-democratas, se avançará para a formação da comissão, de forma potestativa, o que poderá acontecer no início da próxima sessão legislativa, em setembro. Chamando António Costa, o atual secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, o antigo ministro da Energia, João Galamba, o antigo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e “outros que tiveram naquele governo poder de decisão relevante”.

“Não podemos deixar que a Operação Influencer se torne o novo Marquês”, disse Ventura, referindo-se às “suspeitas fundadas graves, que levaram à queda de um Governo de maioria absoluta” no final de 2023. “Se queremos combater a corrupção a sério, e não de brincadeira, temos de fazer disto uma questão essencial”, insistiu, perguntando quais são os receios do PSD: “Se tem medo de alguma coisa, é como diz o povo: quem tem medo compra um cão.”

Rotuladas de “fúteis” foram as razões apontadas pelos sociais-democratas para não fazer uma CPI sobre um caso que está nas mãos da justiça. “Na TAP também havia uma investigação judicial em curso. No BES também. O que mudou aqui? É que aqui [na Operação Influencer] o protagonista era líder de partido”, disse Ventura, defendendo que a comissão de inquérito “não atrapalha, não substitui e não condiciona a investigação judicial. Pelo contrário, estimula, dinamiza e ajuda”.