
Cada vez mais trabalhadores procuram um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal e priorizam a sua saúde mental em vez de ascender no trabalho.
Um número crescente de trabalhadores está a dar prioridade ao seu bem-estar mental em detrimento da ascensão na carreira, com muitos dispostos a rejeitar promoções e oportunidades de emprego com salários mais elevados se acreditarem que as responsabilidades adicionais afetarão negativamente a sua qualidade de vida, de acordo com um novo inquérito.
O estudo, conduzido pela plataforma de carreiras Kickresume, inquiriu 1028 trabalhadores sobre a saúde mental no local de trabalho e o valor que atribuem ao apoio de bem-estar oferecido pelo empregador. Os resultados sugerem que as preocupações com o stress, o burnout e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional estão a remodelar as atitudes tradicionais em relação à progressão na carreira.
De acordo com o inquérito, 80% dos inquiridos disseram que os seus empregos contribuíram para problemas de saúde mental, enquanto quase 40% relataram ter deixado um emprego devido a preocupações relacionadas com a saúde mental.
A investigação também constatou que os benefícios de saúde mental estão a tornar-se um fator decisivo na avaliação das oportunidades de emprego. Sete em cada dez inquiridos afirmaram que recusariam um cargo bem remunerado se o empregador não apoiasse o bem-estar mental, como o acesso a serviços de aconselhamento, programas de terapia ou outros recursos de bem-estar psicológico. Talvez o dado mais notável seja que muitos trabalhadores indicaram que recusariam promoções internas, apesar da perspetiva de aumento salarial e de estatuto.
Peter Duris, CEO e cofundador da Kickresume, afirmou que diversos fatores estão a impulsionar esta mudança. Os trabalhadores podem estar a recuperar de esgotamento profissional, a lidar com responsabilidades familiares, a cuidar de filhos ou familiares idosos, ou simplesmente a procurar um estilo de vida mais sustentável.
“O trabalho stressante e sob alta pressão pode ter um impacto significativo na saúde mental”, observou Duris.
Os especialistas afirmam que esta tendência reflete uma mudança mais ampla na cultura do ambiente de trabalho, onde as normas tradicionais de sucesso estão a ser questionadas. Em vez de encararem a progressão na carreira como uma ascensão linear na hierarquia empresarial, os trabalhadores estão cada vez mais a fazer escolhas baseadas no bem-estar pessoal e na sustentabilidade a longo prazo.