O nariz funciona como um sistema de climatização natural, mas no inverno ele muitas vezes trabalha além de seu limite biológicoFoto: Imagem gerada por IA/ND Mais
Com a chegada das baixas temperaturas, é comum observarmos um aumento de quadros clínicos que afetam as vias aéreas superiores. O inverno, sinônimo de alergias e doenças de pele e respiratórias, impõe ao corpo humano o desafio de lidar não apenas com o frio, mas principalmente com a redução drástica da umidade do ar.
Entre as queixas mais recorrentes nos consultórios de otorrinolaringologia neste período está a epistaxe, o termo médico para o sangramento nasal no inverno. Embora o fenômeno costume ser benigno, a compreensão de suas causas e riscos é fundamental para evitar complicações.
Por que o nariz sangra mais no inverno?
O ar seco do inverno não apenas resseca a pele, ele fragiliza os vasos mais sensíveis do nosso corpoFoto: Centralx/ND Mais
Muita gente acredita que o nariz sangra por causa do frio intenso, mas a ciência explica que o verdadeiro vilão, na verdade, é a baixa umidade. De acordo com a Cleveland Clinic, o interior do nosso nariz é revestido por uma rede de vasos sanguíneos extremamente delicados e superficiais.
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A função deles é vital, pois esses vasos aquecem e umidificam o ar antes que ele chegue aos pulmões. Porém, quando o ar está muito seco, essa mucosa perde sua proteção natural, criando pequenas fissuras. É nesse momento que os vasos ficam expostos e “quebram” com qualquer estímulo bobo, como coçar o nariz ou assoar com um pouco mais de força.
Para entender a fundo essa fragilidade, vale a pena conhecer mais sobre as causas e tratamentos do sangramento nasal e como identificar cada tipo de ocorrência.
O cálculo do risco
Um estudo de dez anos revelou uma conexão matemática direta entre a secura do clima e os sangramentos repentinosFoto: Magnific/ND Mais
A relação entre o clima e o seu nariz não é apenas uma “sensação”. Um estudo publicado na revista científica Cureus, que analisou mais de 4.100 casos ao longo de uma década, trouxe um dado impressionante, cada 1% de queda na umidade do ar aumenta as chances de sangramento.
Os pesquisadores notaram que, quando a umidade sobe apenas 10%, o número de pessoas com o nariz sangrando cai na mesma proporção. Isso prova que o sangramento nasal no inverno é uma resposta direta ao ambiente em que vivemos, principalmente em cidades que sofrem com o tempo seco e o uso constante de aquecedores, que “roubam” a umidade dos ambientes fechados.
Quem são os mais vulneráveis e como se proteger?
Crianças e idosos são os primeiros a sentir o impacto da baixa umidade nas vias aéreasFoto: Magnific/ND Mais
Especialistas da Mayo Clinic alertam que crianças e idosos estão no topo da lista de risco, mas quem sofre com rinite ou desvio de septo também entra na zona de perigo. A boa notícia é que a prevenção é mais simples do que parece.
A alergista Jane da Silva alerta para os cuidados básicos que garantem a saúde no inverno, reforçando que manter as mucosas hidratadas é a melhor barreira contra o sangramento.
Dicas de ouro dos especialistas:
- Beba água e use soro fisiológico nas narinas várias vezes ao dia;
- Aplicar uma camada mínima de gel hidratante ou vaselina na entrada das narinas antes de dormir pode criar uma “capa protetora” contra o ar seco da madrugada;
- Se o tempo estiver crítico, use um aparelho umidificador para devolver a umidade ao quarto, mas cuidado com a limpeza para não acumular fungos.
Quando o sangramento deixa de ser comum?
A persistência de um sangramento por mais de 20 minutos, mesmo após a compressão correta das narinas, é um sinal claro de que é necessário suporte médicoFoto: Magnific/ND Mais
Embora a maioria dos casos de epistaxe seja benigna, existem sinais que exigem uma visita imediata ao pronto-socorro:
- Tempo: o sangramento não para mesmo após 20 ou 30 minutos de pressão firme;
- Volume: a perda de sangue é muito intensa ou ocorre após uma batida forte no rosto;
- Sinais do corpo: você sente tontura, palidez ou dificuldade para respirar.
Se o seu nariz sangra mais de uma vez por semana, é essencial investigar com um otorrinolaringologista se não há causas por trás, como pressão alta ou distúrbios de coagulação.
Procure orientação profissional de saúde As informações sobre saúde e bem-estar publicadas neste conteúdo têm caráter informativo e não substituem o diagnóstico ou tratamento feito por profissionais. Se você estiver com sintomas ou dúvidas relacionadas à sua saúde física ou mental, procure um médico ou profissional habilitado.