Na sessão dedicada aos “Sistemas de dados, vigilância e alerta precoce”, ficámos a perceber que o SNS tem “graus de maturidade distintos” nos seus sistemas de dados.

“Estamos a meio caminho” para uma uniformização, admitiu Isabel Baptista, Vogal Executiva do Conselho de Administração da SPMS – Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, lembrando o forte investimento que tem vindo a ser feito no âmbito do PRR.

Segundo esta responsável, “um dos grandes desafios que temos pela frente” passa por ter “dados com qualidade”, que possam ser usados ao nível de prevenção ou da investigação.

Por sua vez, Hugo Marques, diretor da área de Digitalização, IA & Automação da Siemens Healthineers Portugal lembrou o trabalho de digitalização da última década. “Basicamente, arquivámos e armazenámos informação”, resumiu.

O desafio, concorda, passa agora pela aplicação prática desses dados, sobretudo na dimensão da partilha. O responsável deu o exemplo de um exemplo feito numa unidade do SNS, cujo resultado deveria estar disponível em todo o sistema. Mas sempre com a ressalva: na hora de desenhar estes sistemas de partilha é preciso “garantir que os profissionais de saúde são incluídos no projeto de uma forma inicial”

“Os limites de ética que devíamos estar a trazer é o risco da não utilização dos algoritmos”, advogou.

Filipe Piteira Ganhão, Life Sciences & Healthcare Technology and Transformation / Lead Partner na Deloitte Portugal, vai ainda mais longe, defendendo que o “passo seguinte é conseguirmos integrar [a saúde] com os restantes setores, dado o perfil das crises que se avizinham.

Para este porta-voz, o maior desafio da resiliência digital na saúde é “mais operacional do que tecnológico”. “De nada serve termos tecnologia e processos se não tivermos todo um processo de governação, de aplicação, de confiança, de organização entre várias entidades”, sublinhou.