O início da menopausa pode ser indicado por alterações no cabelo. Frequentemente associado a sintomas como ondas de calor e alterações de humor, o período da menopausa pode ser identificado a partir de queixas como afinamento dos fios, perda de volume, ressecamento e aumento da queda.

Muitas vezes ignorados ou atribuídos apenas ao envelhecimento, esses sintomas indicam alterações hormonais. É o que a dermatologista Mariana Scribel, especialista em tricologia médica, explica: “O folículo capilar é altamente sensível às variações hormonais. Quando há queda nos níveis de estrogênio, o ciclo de crescimento do cabelo é impactado, e isso se reflete diretamente na qualidade e na densidade dos fios”, afirma.

O cabelo pode funcionar como um ‘termômetro’ das mudanças que acontecem nessa fase. Entre as principais alterações observadas estão a redução da espessura dos fios, crescimento mais lento e aumento da queda, além de mudanças na textura: cabelos que antes eram mais encorpados podem se tornar mais finos e frágeis.

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Outro ponto de atenção, segundo Mariana, é que nem todas as mulheres passam por essas mudanças da mesma forma. “Existe uma variação individual importante. Fatores genéticos, estilo de vida e até a sensibilidade aos hormônios androgênicos influenciam como o cabelo vai responder durante a menopausa”, destaca.

A médica explica que, ao contrário do que muitas mulheres imaginam, essas mudanças não acontecem de forma isolada; antes, fazem parte de um conjunto de transformações no organismo. “O cabelo não é apenas uma questão estética”, pontua Mariana. “Ele pode sinalizar alterações sistêmicas importantes, como desequilíbrios hormonais, deficiências nutricionais e até processos inflamatórios associados à menopausa”, afirma a especialista.

Queda de cabelo não deve ser normalizada

Apesar de comuns, as alterações capilares durante a menopausa não devem ser ignoradas ou tratadas como algo inevitável. A avaliação médica é fundamental para identificar causas e direcionar o tratamento adequado. “Na maioria dos casos, é possível intervir e melhorar a saúde capilar com uma abordagem individualizada”, diz a dermatologista.

Ela explica que o primeiro passo é entender a causa da queda de cabelo, pois nem sempre está relacionada apenas à menopausa. Deficiência de ferro, alterações na tireoide, estresse crônico ou mudanças no padrão hormonal são causas que podem ser tratadas, conforme aponta a médica.

Após o diagnóstico, o tratamento mais adequado varia. “Pode incluir desde ajustes na alimentação e suplementação, até o uso de medicações tópicas ou orais, além de terapias específicas para o couro cabeludo”, descreve.