Entretanto, o preconceito e o estigma continuam fortes, produzindo silêncio, isolamento social, solidão e prejuízo na saúde física e mental. Gosto muito de lembrar que quem vive com HIV pode ser nossa mãe, nosso pai, nosso avô, nossa avó e nossos amigos. Inclusive, nós mesmos podemos viver com HIV. Combater e nomear a sorofobia, o preconceito relacionado a quem vive com HIV, é uma tarefa da sociedade geral. Afinal, quando melhoramos a forma como vemos e cuidamos do HIV, não são só as pessoas que vivem com o vírus que se beneficiam, mas toda a população – que inclusive pode ter acesso a uma vida melhor, mais autônoma e mais protegida.
Durante muito tempo, a sigla HIV foi ligada à morte. Hoje, precisamos associá-la à vida. À pessoa que trabalha, viaja, se apaixona, cria filhos, encontra novos amores, faz planos, muda de profissão, dança, tem amigos, faz sexo, e envelhece.
Nesse cenário, o tema do congresso que reuniu milhares de pessoas no Rio de Janeiro faz muito sentido. Afinal, é imprescindível repensar o HIV para, assim, reconstruir estratégias de prevenção, cuidado e financiamento que hoje estão ameaçadas. Só assim é possível avançar para uma sociedade em que ninguém precise envelhecer escondendo uma parte de sua história. Avançar significa, em resumo, garantir a cada indivíduo o direito de ter uma vida plena, sem permitir que o vírus ou o preconceito definam o tamanho de sua existência.