A gravidez provoca uma série de mudanças no organismo feminino e também altera as necessidades nutricionais. À medida que o bebê se desenvolve, alguns nutrientes ganham importância especial, seja na formação de tecidos e do sistema nervoso, seja na prevenção de deficiências que podem afetar a saúde da gestante.

No Dia da Gestante, celebrado em 15 de agosto, o tema chama atenção para um cuidado que vai além de simplesmente acrescentar vitaminas à rotina. A necessidade de suplementação, as doses e o período de uso devem ser avaliados durante o pré-natal.

“Durante a gestação, as necessidades nutricionais mudam e alguns nutrientes passam a ter ainda mais relevância. Mesmo para quem mantém uma alimentação equilibrada, o acompanhamento individualizado é essencial para avaliar a dieta, identificar possíveis deficiências e definir quais suplementos são realmente necessários”, explica Amanda Rodrigues, nutricionista da Bio Mundo.

Confira as vitaminas

1. Folato

Conhecido também como vitamina B9, o folato participa da divisão celular e tem papel fundamental na formação do tubo neural, estrutura que dará origem ao cérebro e à medula espinhal do bebê.

Por esse motivo, a atenção ao nutriente começa antes mesmo da gravidez. A Organização Mundial da Saúde recomenda a suplementação de ácido fólico durante a gestação, associada ao ferro, como parte do cuidado pré-natal.

“O folato é especialmente importante durante a gestação justamente por participar da divisão celular e da formação do tubo neural”, destaca Amanda.

2. Ferro

Durante a gestação, o organismo materno precisa produzir mais sangue para atender às próprias necessidades e às do bebê. O ferro é essencial para a formação da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio, e sua deficiência pode levar à anemia.

A suplementação de ferro faz parte das recomendações do pré-natal e é adotada pelo Sistema Único de Saúde como estratégia de prevenção da deficiência do mineral durante a gravidez.

Apesar disso, mais não significa melhor. O uso e a dose devem seguir a orientação da equipe que acompanha a gestação.

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3. Cálcio

O cálcio participa da formação dos ossos e dentes do bebê e também desempenha funções importantes no organismo materno. Mas há outro motivo para o nutriente ter ganhado destaque no pré-natal: sua relação com a prevenção da pré-eclâmpsia, condição caracterizada por alterações da pressão arterial durante a gravidez.

O Ministério da Saúde passou a recomendar a suplementação de cálcio para todas as gestantes a partir da 12ª semana de gravidez até o parto. A orientação também estabelece que os suplementos de cálcio e ferro sejam ingeridos em horários diferentes, com intervalo mínimo de duas horas, para evitar interferência na absorção.

4. Ômega-3 DHA

Entre os tipos de ômega-3, o DHA tem participação importante no desenvolvimento do cérebro e da visão do bebê. O nutriente se concentra especialmente no cérebro e na retina, com maior acúmulo durante o terceiro trimestre da gravidez.

“É um ácido graxo importante para diversas funções do organismo e participa do desenvolvimento do cérebro e da visão do bebê”, explica Amanda.

A necessidade de suplementação, porém, não é igual para todas as mulheres e deve levar em consideração a alimentação e as condições individuais.

E a vitamina B12?

A vitamina B12 também merece atenção durante a gravidez. Ela participa da formação das células vermelhas do sangue, do funcionamento do sistema nervoso e da divisão celular. O cuidado deve ser maior em mulheres que seguem dietas vegetarianas ou veganas, já que a vitamina está presente naturalmente principalmente em alimentos de origem animal.

Isso não significa que toda gestante precise acrescentar vários suplementos à rotina. Multivitamínicos podem ser indicados em determinados casos, mas a composição deve ser avaliada individualmente para evitar tanto deficiências quanto ingestão desnecessária ou excessiva de determinados nutrientes.

“Mais do que seguir uma lista pronta, é importante lembrar que cada gestação é única. A escolha dos suplementos, as doses e o período de uso devem ser definidos por médico ou nutricionista, de acordo com a alimentação e as necessidades de cada mulher”, reforça Amanda.