Itália, Grécia e Espanha são os países com mais casos notificados de humanos infectados com o vírus do Nilo Ocidental e com mais vítimas mortais na Europa. Portugal mantém a vigilância, mas sem qualquer caso até então notificado
Portugal não tem qualquer caso notificado de humanos infectados com o vírus do Nilo Ocidental (VNO). O esclarecimento é feito ao Laboratório Nacional de Referência de Doenças Transmitidas por Vetores do Centro de Estudos de Vetores e Doenças Infeciosas (CEVDI) Doutor Francisco Cambournac do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), a propósito do aumento do número de infeções na Europa.
“O último caso clínico humano de vírus West Nile em Portugal foi em 2015 no Algarve e no total foram reportados quatro casos desde 2004 (nenhum dos quais fatal), embora a circulação do vírus seja conhecida desde 1967 (por estudos serológicos em animais)”, revela o organismo, numa resposta enviada por e-mail.
Segundo o mais recente relatório do Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC, na sigla inglesa), desde o início da época de transmissão de 2026, na primavera, e até 26 de agosto, foram identificadas 124 áreas afetadas pelo vírus do Nilo Ocidental em 15 países da Europa, num total de 877 humanos infectados e 39 mortes confirmadas – 19 na Grécia, 17 em Itália, duas em Espanha, uma na Roménia e uma nos Países Baixos.
Itália é o país com mais casos notificados (428), seguindo-se a Grécia (222 casos, “dos quais oito com local de infeção desconhecido”, diz a ECDC), Espanha (79 casos), Macedónia do Norte (49 casos), Roménia (45 casos), França (28 casos), Sérvia (11 casos), Croácia (três casos), Países Baixos (três casos), Áustria (dois casos), Chipre (dois casos), Alemanha (dois casos), Albânia (um caso), Hungria (um caso) e Kosovo (um caso).
De acordo com o CEVDI, “o vírus West Nile tem sido reportado em Portugal, especialmente no sul do país, e em equinos, com surtos frequentes nos últimos anos (reportados pela DGVA). A presença do vírus West Nile é monitorizada no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge em mosquitos vetores (género Culex) no âmbito da rede de vigilância de vetores (REVIVE) desde 2008. Em mosquitos capturados em ambientes urbanos e periurbanos (com maior densidade populacional e risco de transmissão, no REVIVE) o vírus West Nile nunca foi detetado”.
O vírus da Febre do Nilo Ocidental é transmitido através da picada de mosquitos infectados, principalmente do género Culex. Este vírus pertence à família dos flavivírus, que inclui os vírus causadores de dengue, zika e febre amarela. O nome deve-se à região onde foi detetado pela primeira vez, em 1937: West Nile, no Uganda. Os hospedeiros naturais são algumas espécies de aves selvagens, que atuam como amplificadoras do vírus e como fonte de infecção para os mosquitos.
Em Portugal, recorda o CEVDI, “numa investigação de cooperação entre o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e o Instituto Carlos III, dirigida para zonas húmidas com elevada densidade de aves, o vírus foi detetado em mosquitos Culex sp. em outubro de 2025”.
A infeção, da qual resulta a Febre do Nilo Ocidental, tende a ser, na maioria dos casos, assintomática. No entanto, pode causar febre e mal-estar generalizado, dores de cabeça e dores musculares, náuseas, vómitos, erupções cutâneas e dor ocular.
A febre do Nilo Ocidental é uma doença de notificação obrigatória, seja diagnosticada no homem ou em animais.