O vírus do Nilo Ocidental está a fazer soar os alertas um pouco por toda a Europa, tendo já matado 39 pessoas. Por cá, não há casos, mas as autoridades de saúde mantêm a vigilância
O que é?

A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada pelo Vírus do Nilo Ocidental (VNO). Este vírus pertence à família dos flavivírus, que inclui os vírus causadores de dengue, zika e febre amarela. O nome deve-se à região onde foi detetado pela primeira vez, em 1937: West Nile, no Uganda.

Como se transmite?

O vírus da Febre do Nilo Ocidental é transmitido através da picada de mosquitos infectados, principalmente do género Culex. “Os hospedeiros naturais são algumas espécies de aves selvagens, que atuam como amplificadoras do vírus e como fonte de infecção para os mosquitos”, explica o Ministério da Saúde do Brasil no seu site.

Quais os sintomas?

A infeção tende a ser, na maioria dos casos, assintomática. No entanto, pode causar febre e mal-estar generalizado, dores de cabeça e dores musculares, náuseas, vómitos, erupções cutâneas e dor ocular, como se lê no site do Hospital da Luz.

A infeção é sempre grave?

Não, há casos em que é assintomática e outros em que causa sintomas ligeiros. No entanto, “um em cada 150 indivíduos infectados desenvolve doença neurológica severa (meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda)”, continua o governo brasileiro. “A recuperação pode ser rápida, mas também pode levar meses. Os casos mais graves podem ser fatais, podendo a mortalidade nas formas neuroinvasivas aproximar-se de 17%”, diz o médico Saraiva da Cunha num artigo assinado no site do Hospital da Luz.

Qual o período de incubação?

O período de incubação da febre do Nilo Ocidental nos humanos varia entre dois e 21 dias após a infeção.

Como é feito o tratamento?

Não há nenhum tratamento somente para a Febre do Nilo Ocidental, passando a terapêutica a focar-se na gestão dos sintomas. Nos casos mais graves, é necessário acompanhamento hospitalar.

Quais os grupos de risco?

As pessoas que trabalham ao ar livre, junto de zonas com águas paradas ou sem saneamento básico ou diretamente com equídeos, gansos e patos.

Afeta apenas pessoas? 

Não. “A Febre do Nilo Ocidental é uma zoonose, sendo as espécies suscetíveis os equídeos, gansos, patos (em estudo) e as aves selvagens. Algumas aves selvagens são mais suscetíveis ao vírus que outras, nomeadamente os corvídeos. Os gansos também são espécies de risco, mas as outras aves domésticas não apresentam grande suscetibilidade a este vírus”, explica a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Como prevenir?

Segundo o Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA), há estratégias que podem ajudar a prevenir a infeção, como eliminar recipientes, “mesmo que pequenos, com água parada, como pratos de vasos, baldes, pneus usados ou outros objetos onde os mosquitos possam reproduzir-se”, mudar a água dos vasos, jarras de flores e bebedouros de animais “uma vez por semana”; limpar as calhas e caleiras na área residencial e circundante; tapar reservatórios e depósitos de água e fossas; manter as piscinas tratadas; evitar acumular lixo no espaço à volta de casa; proteger as portas e janelas com redes mosquiteiras, sempre que possível. É ainda aconselhado usar “roupa e acessórios que cubram a maior parte das áreas mais expostas e aplicando repelente na pele exposta e na roupa”. 

Onde há casos?

Segundo o mais recente relatório do Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC, na sigla inglesa), desde o início da época de transmissão de 2026, na primavera, e até 26 de agosto, foram identificadas 124 áreas afetadas pelo vírus do Nilo Ocidental em 15 países da Europa, num total de 877 humanos infectados e 39 mortes confirmadas – 19 na Grécia, 17 em Itália, duas em Espanha, uma na Roménia e uma nos Países Baixos.

Itália é o país com mais casos notificados (428), seguindo-se a Grécia (222 casos, “dos quais oito com local de infeção desconhecido”, diz a ECDC), Espanha (79 casos), Macedónia do Norte (49 casos), Roménia (45 casos), França (28 casos), Sérvia (11 casos), Croácia (três casos), Países Baixos (três casos), Áustria (dois casos), Chipre (dois casos), Alemanha (dois casos), Albânia (um caso), Hungria (um caso) e Kosovo (um caso).

E se viajar para uma região onde há casos confirmados?

“Se viajar para uma região onde circulam doenças transmitidas por mosquitos, como Dengue, Zika ou Chikungunya, e tiver sintomas como febre, exantema, dores no corpo ou nas articulações e/ou sintomas gastrointestinais até duas semanas após o regresso, contacte o SNS e refira a viagem”, aconselha ainda o INSA. 

E em Portugal?

Portugal não tem qualquer caso notificado de humanos infectados com o vírus do Nilo Ocidental (VNO). O esclarecimento é feito à Laboratório Nacional de Referência de Doenças Transmitidas por Vetores do Centro de Estudos de Vetores e Doenças Infeciosas (CEVDI) Doutor Francisco Cambournac do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), a propósito do aumento do número de infeções na Europa.

“O último caso clínico humano de vírus West Nile em Portugal foi em 2015 no Algarve e no total foram reportados quatro casos desde 2004 (nenhum dos quais fatal), embora a circulação do vírus seja conhecida desde 1967 (por estudos serológicos em animais)”, revela o organismo, numa resposta enviada por e-mail.

A febre do Nilo Ocidental é uma doença de notificação obrigatória, seja diagnosticada no homem ou em animais.