A administração de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 não está aprovada para estas faixas etárias pela Food and Drug Administration (FDA) nem pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA)
O Wegovy está a ser testado em crianças. O anúncio foi feito pela própria farmacêutica criadora do fármaco, a dinamarquesa Novo Nordisk, que explica que o estudo de fase 3 STEP Young atingiu o seu “objetivo primário”: “Demonstrar uma maior redução do índice de massa corporal (IMC) em crianças de seis a menos de 12 anos tratadas com semaglutida subcutânea uma vez por semana, em comparação com o placebo”.
Os resultados mostram que 40,4% das crianças tratadas com Wegovy “deixaram de ser classificadas como obesas após 68 semanas”, pode ler-se no comunicado da Novo Nordisk. Em sentido inverso, as crianças a quem apenas foi administrado um placebo tiveram uma taxa de 0% de menores que deixaram de ser classificados como obesos.
“Isto significa que a semaglutida ajudou duas em cada cinco crianças a reduzirem seu IMC para um peso normal ou para a classificação de sobrepeso, em comparação com nenhuma das crianças do grupo placebo”, aponta a farmacêutica dinamarquesa.
O estudo foi composto por dois grupos de crianças entre os seis e os 12 anos, sendo que a um recebeu o fármaco agonista do receptor de GLP-1 subcutânea uma vez por semana e aos restantes foi apenas administrado um placebo. Todos os participantes “receberam modificações no estilo de vida ao longo do estudo, incluindo dieta com redução de calorias e aumento da atividade física”, explica a Novo Nordisk.
A farmacêutica garante ainda que a segurança e a tolerância gerais da semaglutida foram consistentes com as observadas em ensaios clínicos com adultos e adolescentes.
“Estamos encorajados pelos resultados positivos do estudo STEP Young e pelo potencial da semaglutida para ajudar crianças com obesidade que precisam de tratamento médico, juntamente com mudanças no estilo de vida, para melhor controlar sua obesidade”, explica Martin Holst Lange, diretor científico da Novo Nordisk, em declarações à Reuters.
A farmacêutica dá uma relevância especial a este estudo, lembrando que “crianças com obesidade apresentam fatores de risco para doenças cardiovasculares, depressão, distúrbios alimentares e bullying”.
“Sem intervenção eficaz, a obesidade infantil persiste na vida adulta, onde as complicações relacionadas à obesidade surgem mais cedo e com maior gravidade reduzindo substancialmente a expectativa de vida”, acrescenta.
A Organização Mundial da Saúde estima que na Europa uma em cada quatro crianças sofra de obesidade. Um estudo publicado pela Reuters na sexta-feira dava que o número de crianças norte-americanas com menos de 12 anos a serem tratadas com medicamentos para a redução de peso tinha aumentado 300 vezes nos últimos sete anos, apesar de este tipo de fármacos não estar aprovado para estas faixas etárias pela Food and Drug Administration (FDA) nem pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).