Pesquisadores encontraram uma possível ligação entre a apneia obstrutiva do sono e o desenvolvimento da doença de Parkinson, de acordo com um novo estudo.
A apneia obstrutiva do sono —um distúrbio em que a pessoa experimenta um colapso total ou parcial das vias aéreas durante o sono, causando falta de oxigênio e descanso não restaurador— afeta milhões de americanos e frequentemente não é diagnosticada, segundo a Associação Médica Americana.
A doença de Parkinson, um distúrbio progressivo e incurável do movimento, é o segundo distúrbio neurodegenerativo mais comum nos Estados Unidos e acredita-se que afete cerca de 1,1 milhão de pessoas.
No estudo, publicado na revista Jama Neurology na segunda-feira (24), pesquisadores analisaram os registros médicos de mais de 11 milhões de veteranos americanos de 1999 a 2022. Quase 14% deles tinham apneia do sono, e aqueles com apneia do sono tinham quase duas vezes mais probabilidade de desenvolver Parkinson seis anos após esses diagnósticos do que aqueles que não tinham o distúrbio do sono.
Entre aqueles que trataram a apneia do sono com terapia de pressão positiva nas vias aéreas (conhecida como CPAP) no início de seus diagnósticos, o número de casos de Parkinson foi “significativamente reduzido”, afirmou o estudo.
Gregory Scott, um dos coautores do estudo e professor assistente de patologia na Escola de Medicina da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, disse em um comunicado que a apneia obstrutiva do sono “não é de forma alguma uma garantia” de que alguém desenvolva Parkinson, “mas aumenta significativamente as chances”.
Cuide-se
Os sintomas da apneia do sono incluem ronco, falta de ar, fadiga mesmo após uma noite aparentemente completa de sono e despertares frequentes durante a noite. A doença de Parkinson está associada a uma longa lista de sintomas potenciais, incluindo tremores, dificuldade para se mover ou andar, problemas de equilíbrio, salivação excessiva, distúrbios do sono e problemas para falar ou engolir.
Danny Eckert, especialista em apneia obstrutiva do sono e professor da Faculdade de Medicina e Saúde Pública da Universidade Flinders na Austrália, chamou isso de “descoberta interessante e inovadora” que se soma a um crescente corpo de pesquisas sugerindo que a interrupção repetida do sono — independentemente da causa— “tem uma série de resultados adversos”.
Outra condição do sono, o transtorno comportamental do sono REM, também foi relacionada à doença de Parkinson, disse ele.
“Uma das observações cautelosas é que não foi um ensaio randomizado”, disse Eckert, “então as pessoas que parecem estar se saindo melhor com a terapia CPAP podem ser apenas aquelas com maior probabilidade de adotar um estilo de vida saudável”.
Embora o estudo não prove que a apneia obstrutiva do sono cause a doença de Parkinson, especialistas acreditam que ele pode oferecer uma pista para onde os pesquisadores poderiam investigar mais a fundo.
Kin Yuen, médica de medicina do sono e professora clínica assistente da Universidade da Califórnia, São Francisco, disse que os resultados não são surpreendentes, dado que o sono ruim tende a estar associado a piores resultados neurológicos. Também permanece incerto quão fortes são as ligações entre a apneia obstrutiva do sono e o Parkinson.
No entanto, uma teoria é que a “falta repetida de oxigênio” causada pela apneia obstrutiva do sono pode “prejudicar o ‘reparo’ do cérebro durante o sono”, disse ela em um e-mail.
“Clinicamente, pacientes com síndrome ou doença de Parkinson são frequentemente vistos em clínicas de sono devido à apneia obstrutiva do sono”, afirmou Yuen.
Lee Neilson, autor principal do estudo e professor assistente de neurologia da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, ofereceu uma teoria semelhante.
“Se você para de respirar e o oxigênio não está em um nível normal, seus neurônios provavelmente também não estão funcionando em um nível normal”, disse ele.
“Some noite após noite, ano após ano, e isso pode explicar por que resolver o problema usando CPAP pode criar alguma resiliência contra condições neurodegenerativas, incluindo o Parkinson”.