Tal como rir, a intimidade sexual e a oxitocina podem ser o melhor remédio. Quem o diz é um grupo de cientistas que descobriu que as relações sexuais, o afecto e a oxitocina reduzem o cortisol e podem ajudar a cicatrizar feridas.

Que as interacções positivas entre casais são benéficas para a saúde já se sabe, mas qual será o verdadeiro impacto no corpo? Este foi o ponto de partida para investigadores da Universidade dos Andes, no Chile, e do Instituto de Psicologia da Universidade de Zurique, na Suíça. Para testarem se “a oxitocina intranasal, a interacção positiva instruída e a intimidade espontânea influenciam a cicatrização de feridas”, os cientistas induziram pequenas bolhas nas mãos de 80 casais jovens heterossexuais e dividiram-nos aleatoriamente em quatro grupos.

No estudo publicado no jornal JAMA Psychiatry, lê-se que um grupo recebeu spray nasal de oxitocina e foi-lhe pedido que realizasse a Tarefa de Apreciação do Parceiro (TAP), que consistia numa sessão de apreciação mútua de dez minutos. No segundo, foi administrada igualmente a também chamada hormona do amor e foi gerada uma conversa genérica de dez minutos. O terceiro recebeu um spray nasal placebo, mas fez a TAP. Um quarto grupo recebeu o placebo e não lhe foi dada nenhuma tarefa.

Terminada a experiência em laboratório, todos os grupos receberam um spray nasal para usar periodicamente em casa e foi-lhes pedido que repetissem as conversas que lhe tinham sido atribuídas, seja a de apreciação mútua ou conversa genérica.

Simultaneamente, ao longo de uma semana, os parceiros responderam a perguntas diárias sobre os seus níveis de stress e interacções, incluindo toques afectuosos e sexo.

Propriedade calmante

As feridas de cada participante foram classificadas numa escala de “ainda grave” a “totalmente cicatrizada”. As lesões cutâneas cicatrizaram mais rapidamente nos casais que receberam oxitocina e relataram uma maior frequência de actividade sexual e contacto físico afectuoso.

Já no grupo que não recebeu oxitocina, mais intimidade física não foi associada a uma cicatrização mais rápida, mostram os investigadores. A intimidade combinada com oxitocina apresentou melhores resultados do que associada a um placebo. Isto, concluem os investigadores, mostra que a oxitocina acelera a cicatrização.

O estudo constatou que “a oxitocina isoladamente não promoveu a cicatrização de feridas, assim como a intervenção comportamental. No entanto, quando combinada com a TAP ou com a intimidade quotidiana (com efeitos mais robustos), a oxitocina foi associada a uma recuperação mais rápida”.

O que não se analisou foi a associação da cicatrização de feridas com a satisfação geral da relação, mas esta foi “relativamente elevada” na amostra usada.

Os investigadores dizem ainda que “a nível biológico, tanto as interacções positivas do casal como a oxitocina têm sido associadas à melhoria do funcionamento imunitário, sugerindo que a sua acção pode contribuir para uma cicatrização de feridas mais eficaz através da redução dos níveis de cortisol e da modulação dos factores imunológicos”.

Importante referir também que “a intimidade física reduziu os níveis de stress e de cortisol, com análises desfasadas que mostraram que o relaxamento aumentou o toque subsequente e a actividade sexual”. Os cientistas afirmam que estas “descobertas indicam que a intimidade física é mais provável em condições de relaxamento, destacando a necessidade de investigação sensível ao contexto sobre a forma como o stress influencia a intimidade, particularmente considerando as diferenças individuais na segurança do apego”.

Os investigadores acreditam que estas conclusões “fornecem uma base para futuras intervenções que integrem a dinâmica da relação e a modulação neuro-hormonal para melhorar a saúde e a recuperação da doença”.